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Panorama dos Mercados - Resumo de Setembro de 2026
Brasil: O Banco Central baixou os juros básicos (Selic) de 14,00% para 13,75% ao ano, por unanimidade. Foi o quinto corte seguido, mas o tom segue cauteloso e não houve indicação dos próximos passos; as gestoras esperam que a taxa termine 2026 perto de 13,25%. A economia perdeu força: o país cresceu 0,5% no segundo trimestre, com queda no consumo das famílias, enquanto o emprego segue firme (desemprego de 5,3%). Os preços deram sinais mistos: caíram 0,32% em agosto, mas a prévia da inflação de setembro subiu 0,70%, acima do esperado, puxada por serviços e alimentos. As dívidas em atraso estão no maior nível desde 2011 e as famílias comprometem cerca de 30% da renda com dívidas, o que reduz o consumo. No crédito para empresas, os papéis de infraestrutura perderam valor porque muitos investidores resgataram seu dinheiro dos fundos. Mesmo assim, a bolsa subiu 5,03%, a melhor alta mensal desde janeiro, com a volta dos investidores estrangeiros (cerca de R$ 9 bilhões, depois de R$ 18 bilhões que saíram em agosto), e os juros dos títulos do governo ligados à inflação caíram cerca de 0,4 ponto percentual. Já em outubro, no primeiro turno das eleições, Flávio Bolsonaro ficou cerca de 2 pontos à frente de Lula, resultado melhor do que o das pesquisas, e partidos de direita foram bem no Congresso. No dia seguinte, a bolsa subiu quase 8%, o real se valorizou 4,5% frente ao dólar e os juros de longo prazo tiveram queda forte.
Estados Unidos: O banco central americano (Fed) subiu os juros pela primeira vez desde 2023, para entre 3,75% e 4,00% ao ano, também por unanimidade, confirmando o recado dado por seu presidente, Kevin Warsh, no mês anterior. Segundo as novas projeções, 16 dos 18 membros esperam pelo menos mais uma alta até o fim do ano, não há cortes previstos para 2027 e a inflação só voltaria à meta de 2% em 2029. A economia americana segue forte, com vendas no comércio acima do esperado, consumo alto e investimentos em inteligência artificial, embora o emprego tenha esfriado um pouco. A inflação trouxe sinais mistos: os preços subiram 0,4% em agosto e 3,4% em 12 meses. Os juros dos títulos do governo americano de 10 anos subiram cerca de 0,5 ponto no mês e chegaram a 5,29%, o maior nível desde 2007, em meio aos gastos elevados do governo e à grande emissão de dívida das empresas de tecnologia. O dólar se fortaleceu, principalmente frente ao euro, e a bolsa americana ficou praticamente estável. O petróleo voltou a passar de US$ 100 por barril, com alta de cerca de 14% no mês, por causa das tensões entre Estados Unidos e Irã, sem avanço nas negociações.
Europa: O Banco Central Europeu também subiu os juros, na segunda alta desse ciclo, e indicou que novas altas podem vir, porque a economia segue firme, a inflação continua acima da meta e o petróleo caro ameaça os preços. Os juros de longo prazo subiram em toda a região: chegaram a 5,40% no Reino Unido e a 3,60% na Alemanha. Na França, dúvidas sobre a aprovação do orçamento e sobre o ajuste das contas públicas em 2027 levaram os juros ao maior nível desde 2002. As bolsas europeias caíram no mês (Alemanha -4,0% e Reino Unido -2,0%).
China: Os números vieram mistos: a indústria foi bem, ajudada pelas exportações e pela tecnologia, mas o consumo e os investimentos decepcionaram e o crédito cresceu pouco. O governo chinês não anunciou grandes estímulos. O encontro entre o presidente Xi Jinping e o presidente americano Donald Trump trouxe poucos avanços em acordos comerciais. No Japão, o Banco Central também subiu os juros, para 1,25%.
Considerações Finais: Setembro foi o mês em que os principais bancos centrais do mundo — Estados Unidos, Europa, Japão e Austrália — subiram os juros ao mesmo tempo para combater a inflação, com o petróleo acima de US$ 100 como pano de fundo. Com isso, os juros de longo prazo chegaram aos maiores níveis em várias décadas, pressionados pelas dívidas dos governos e pelos investimentos em inteligência artificial. No Brasil, o cenário foi diferente: os juros caem devagar, e o mercado ficou mais otimista com a perspectiva eleitoral e com o resultado do primeiro turno. Esse ânimo, porém, depende do segundo turno e, principalmente, de como o próximo governo cuidará das contas públicas a partir de 2027. Economia mais fraca, dívidas em atraso e inflação limitam a queda dos juros. O Banco Central volta a decidir sobre a Selic em 3 e 4 de novembro.
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